terça-feira, 31 de maio de 2011

Porquê Investir nos Direitos

Os Direitos Sexuais e Reprodutivos baseiam-se nos Direitos Humanos, como o direito à vida, o direito à educação, o direito à liberdade ou o direito à saúde sexual e reprodutiva.

Maior qualidade da saúde significa mais desenvolvimento humano.

Investir nos Direitos Sexuais e Reprodutivos deve ser uma prioridade:

Porque...

Um direito tão fundamental como exercer controlo sobre o seu próprio corpo só pode ser conseguido através de um esforço em assegurar que a saúde sexual, a gravidez ou maternidade sejam vividas sem riscos.

Porque...

A atenção dada à Saúde Sexual e Reprodutiva é um pré-requisito para a luta pela erradicação da pobreza

Porque...

A saúde reprodutiva tem um forte impacto na economia.

Porque...

A falta de cuidados durante a gravidez e parto pode ter consequências fatais.

domingo, 29 de maio de 2011

O Que é a Infertilidade

Segundo a Associação Portuguesa de Fertilidade, a Infertilidade pode ser definida como a incapacidade de concepção após um ano de relações sexuais não protegidas (6 meses se a mulher tiver mais de 35 anos de idade), ou a incapacidade de manter uma gravidez até ao seu termo.

Estima-se que 1 em cada 10 casais sofre de infertilidade.

Causas da infertilidade e factores de risco

Ninguém se de deve ser sentir responsabilizado por uma situação de infertilidade. Vários factores estão relacionados com a redução dos níveis de fertilidade. Cerca de um terço das causas está associado ao homem e a um terço a problemas na saúde da mulher. Podem ainda surgir causas que combinem ambos, ou então não ser identificada a causa concreta.

Há, porém, factores de risco, tais como:

Doenças infecciosas, como as IST - Infecções Sexualmente Transmissíveis ou outras doenças que afectem o aparelho reprodutor
Idade
Problemas do foro genético, endocrinológico ou do sistema imunitário
Causas para infertilidade na mulher

Desordens da ovulação
Obstrução das trompas
Factores peritoneais como a doença inflamatória pélvica ou a endometriose (presença de tecido endométrico fora da mucosa uterina)
Factores ligados ao colo do útero
Causas para infertilidade no homem

Espermatogénese anormal
Desordens da função secretória de órgãos acessórios
Obstrução do tracto genital
Função anormal dos espermatozóides
Prevenção da infertilidade

Pode prevenir-se a infertilidade prevenindo e tratando atempadamente as infecções sexualmente transmissíveis

As técnicas de Procriação Medicamente Assistida são um método subsidiário e não alternativo de procriação. Isto significa que só quando há um diagnóstico de infertilidade, ou no caso de necessidade de tratamento de doença grave ou de risco de transmissão de doenças de origem genética, infecciosa ou outras, é que se podem aplicar as técnicas de PMA.

Em Portugal, e de acordo com a legislação, só serão beneficiárias da PMA as pessoas:

casadas (que não se encontrem separadas judicialmente de pessoas e bens)
ou as pessoas separadas de facto
ou ainda as pessoas que sendo de sexo diferente, vivam em condições análogas às dos casais, há pelo menos dois anos

A legislação portuguesa prevê a aplicação das seguintes técnicas de PMA:

Inseminação artificial (introdução de espermatozóides directamente no interior da vagina ou no útero)
Fertilização in vitro (técnica através da qual um óvulo é fertilizado em meio laboratorial)
Injecção intracitoplasmática de espermatozóides (procedimento através do qual um único espermatozóide é injectado directamente no interior do óvulo para possibilitar a fertilização. O embrião é depois transferido para o útero.)
Transferência de embriões, gâmetas ou zigotos - introdução nas Trompas de Falópio de embriões, gâmetas (espermatozóides), ou zigotos (óvulos fertilizados)
Diagnóstico genético pré-implementação
Outras técnicas laboratoriais de manipulação gamética ou embrionária equivalentes ou subsidiárias
A utilização de técnicas de PMA só pode verificar-se mediante diagnóstico de infertilidade ou ainda, sendo caso disso,no tratamento de doença grave ou risco de transmissão de doenças de origem genética, infecciosa ou outras.



sexta-feira, 27 de maio de 2011

VIH e SIDA

O que é?
O VIH - Vírus da Imunodeficiência Humana é responsável pela infecção das células do sistema imunitário, tornando-o mais vulnerável.

Numa fase inicial, as pessoas infectadas não apresentam sintomas. No entanto, à medida que a infecção progride o sistema imunitário vai enfraquecendo tornado-se sujeito às chamadas infecções oportunistas.

À fase da doença em que o quadro clínico se agrava, ou seja quando surgem mais infecções ou otras patologias, como o cancro, designa-se por SIDA - Síndrome de Imundodeficiência Adquirida.

Normalmente, este quadro aparece 10 a 15 anos depois do aparecimento da infecção por VIH. Os medicamentos podem, contudo, atrasar o processo de evolução da doença.

O VIH encontra-se principalmente no sangue, no sémen e nos fluídos vaginais das pessoas infectadas.

Assim, a transmissão do vírus só pode ocorrer se estes fluídos corporais entrarem directamente em contacto com o corpo de outra pessoa, pela via sexual e sanguínea.

Uma mulher seropositiva pode também transmitir o vírus ao seu bebé durante a gravidez, o parto ou o aleitamento.

É importante salientar o facto de não constituirem riscos de transmissão comportamentos sociais, como abraçar, beijar, apertar a mão, beber pelo mesmo copo de uma pessoa infectada pelo VIH.

A infecção pode ser prevenida:
- utilizando o preservativo masculino ou feminino nas relações sexuais

- não partilhando objectos cortantes, agulhas, lâminas de barbear ou seringas

O risco de contágio de uma mãe seropositiva para o seu bebé pode também ser diminuído significativamente ao realizar uma terapêutica adequada durante a gravidez e o parto e evitando o aleitamento.


Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico
Quem deve fazer o teste
Como funciona o teste de diagnóstico
Onde posso fazer o teste

Tratamento e acesso aos cuidados
Terapêutica anti-retrovírica
Apoio psicológico e social


Diagnóstico
Quem deve fazer o teste

Todas as pessoas devem fazer o teste do VIH. Mas este torna-se ainda mais necessário se se verificarem comportamentos de risco, como:

- relações sexuais desprotegidas, i.e., sem preservativo
- partilha de seringas ou outro material de injecção de drogas
- contacto com sangue de outra pessoa



Como funciona o teste de diagnóstico
O diagnóstico faz-se a aprtir de análises sanguíneas específicas para o VIH. Esta análise detecta os anticorpos que o sistema imunitário produz contra o vírus, ou mesmo o próprio vírus.

Caso tenha havido comportamento de risco, a colheita de sangue deve ser efectuada apenas 3 a 10 semanas após o contacto, não podendo existir uma certeza sobre os resultados nos primeiros 3 meses após o contágio. As primeiras análises a uma pessoa infectada pelo vírus podem dar um resultado negativo, se o contágio foi recente. Por estes motivos, e na dúvida, o teste deve ser repetido passados 3 meses.



Onde posso fazer o teste
Pode pedir ao seu médico de família ou médico assistente que prescreva o exame. Outra opção passa por fazer o teste (anónimo, confidencial e gratuito), num CAD - Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH/SIDA.
Consulte a lista de CAD


Tratamento e acesso aos cuidados
Terapêutica anti-retrovírica
Não há ainda uma cura para a infecção pelo VIH e SIDA. Os tratamentos passam pela administração de uma terapêutica anti-retrovírica bastante eficaz.

Em Portugal, esta terapêutica é gratuita e de distribuição hospitalar, basta que as pessoas seropositivas sejam referenciadas junto dos serviços, sendo marcada uma primeira consulta médica.

O tratamento com medicamentos anti-retrovíricos deve ser acompanhado desde o início de modo a aumentar a adesão dos doentes.

Para além do acesso a terapêuticas, a pessoa infectada necessita também de apoio psicológico.


Apoio psicológico e social
O diagnóstico de infecção por VIH provoca um conjunto de emoções com as quais pode ser difícil de lidar: ansiedade, negação, depressão, medo. O apoio psicológico e aconselhamento é, assim, fundamental para garantir o bem-estar dos seropositivos.

Para além dos serviços hospitalares, também algumas Organizações Não Governamentais (ONG) ou Instituições Portuguesas de Solidariedade Social, disponibilizam consultas de aconselhamento a pessoas infectadas. Consultar lista de organismos.

A Segurança Social prevê mecanismos e serviços de apoio social nas seguintes áreas:

Atendimento / Acompanhamento Social - Destina-se a informar, orientar, encaminhar e apoiar indivíduos e famílias.

Apoio Domiciliário - Assegura a prestação de cuidados individualizados e personalizados no domicílio a pessoas ou famílias que não possam assegurar, temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e/ou as actividades da vida diária.

Residência - Equipamento destinado a pessoas infectadas pelo HIV/SIDA em ruptura familiar e desfavorecimento sócio-económico. Pretende-se que o ambiente destas residências, que deverão alojar entre cinco e dez pessoas, se aproxime o mais possível do de uma unidade familiar.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Infecções Sexualmente Transmissíveis

As principais vias de transmissão de IST são:
-as relações sexuais vaginais, não protegidas, entre mulher e homem. Ou seja, quando o pénis, sem preservativo é introduzido na vagina.
-as relações sexuais anais, não protegidas, entre mulher e homem ou entre homem e homem. Ou seja, quando o pénis é introduzido no ânus sem a protecção de um preservativo.
-e, para algumas doenças, as relações sexuais orais. Ou seja, quando a vagina, o clitóris ou o pénis estão em contacto com a boca do parceiro.
Quando não estão em contacto com o corpo, a maior parte dos agentes infecciosos responsáveis pelas IST morre rapidamente.

Alguns sinais podem traduzir-se na existência de uma IST:
-corrimento vaginal anormal, frequentemente com mau cheiro ou corrimento uretral
-presença de vermelhidão, bolhas, verrugas ou vesículas nos órgãos genitais ou à sua volta
-dor ou sensação de queimadura ao urinar
-dores difusas no baixo ventre
-sensação de dor ou queimadura aquando das relações sexuais
febre

Certas infecções provocam sintomas apenas no homem outras somente na mulher e, por vezes, pode existir infecção sem qualquer tipo de sintoma.

Em certos casos, as consequências de uma IST não tratada manifestam-se mais tarde sem que, entretanto, se tenha detectado qualquer sinal anormal.

O tratamento das IST deve ser sempre feito aos parceiros envolvidos na relação sexual, mesmo que não haja nenhum sintoma. Desta forma, evitam-se complicações graves como é o caso da infertilidade.

É essencial para a saúde que as pessoas conversem com os seus parceiros sobre se têm ardores, dores ou incómodos na zona genital e que consultem um médico ou um centro de aconselhamento em planeamento familiar com a maior brevidade possível. Indo à consulta, rapidamente se faz o diagnóstico e se inicia o tratamento.


Mensagens importantes
- A melhor estratégia para prevenir o aparecimento de uma IST é a prática de sexo MAIS seguro.
- O preservativo é o método mais eficaz para evitar uma IST.
- É fundamental estar consciente dos riscos, sobretudo quando se tem vários(as) parceiros(as) sexuais.
- Logo que se sintam incómodos ou se detectem lesões na zona genital, deve consultar-se um médico.
- Quando se diagnostica uma IST, deve informar-se o(a) parceiro(a).
- Os exames periódicos são essenciais para despiste das IST, uma vez que os sintomas são muito difíceis de detectar.
- A prevenção e a detecção precoce são a melhor maneira de evitar complicações de saúde mais graves.
- Esteja atento(a) aos sinais...


Existe diferença entre IST e DST?
IST é abreviatura para Infecções Sexualmente Transmissíveis e são estas infecções que podem desencadear as doenças, ou seja as DST, Doenças Sexualmente Transmissíveis. Apesar desta precisão, ambas as palavras são muitas vezes entendidas como sinónimos. O mais importante é saber que a sua principal via de transmissão são as relações sexuais, sejam elas relações sexuais vaginais, sexo oral ou sexo anal.

Quais os principais sintomas de uma IST?
Uma IST nem sempre se manifesta de forma clara, pelo que os exames clínicos são muito importantes para o diagnóstico.
Mas os principais sintomas costumam ser: corrimentos vaginais ou, nos homens, uretrais; presença de vermelhidão, bolhas, verrugas ou vesículas nos órgãos genitais e à sua volta; dor ou sensação de queimadura ao urinar; dores na zona pélvica (baixo ventre); sensação de dor ou queimadura quando se tem relações sexuais; febre.

Como se pode evitar uma IST?
A utilização de preservativo é ainda o método mais eficaz na prevenção de uma IST sempre que há relações sexuais.

As IST são fáceis de tratar?
Depende. Há infecções bacterianas que podem ser tratadas com antibióticos. Mas outras infecções, como o VIH, que permanecem no organismo e implicam um tratamento durante toda a vida.

Onde posso fazer um teste de VIH/SIDA?
É possível fazer um teste de VIH/SIDA recorrendo aos Centros de Aconselhamento e Detecção de VIH (CAD), pedindo ao médico de família ou a um médico particular e nos centros de rastreio. Em Lisboa, na Lapa, existe um Centro de Rastreio Anónimo com teste gratuito (Tel:21 393 01 51)

É possível ficar infectado com sexo oral?
Sim. Existe sobretudo o risco de contrair infecções como a Gonorreia, a Clamídia, a Sífilis ou o VIH, quer recebendo, quer fazendo sexo oral.

O que é o herpes genital?
O herpes genital é uma IST provocada por um vírus (normalmente o vírus simplex do tipo 2), através do contacto sexual. É das infecções mais frequentes. Como é difícil de detectar, muitas vezes o vírus passa para o/a parceiro/a sem que se saiba da sua existência.
O herpes pode ser tratado para atenuar as queixas e sintomas. Mas não existe cura, sendo o seu aparecimento recorrente.

O cancro do colo do útero é uma DST?
O cancro do colo útero é uma doença que resulta de infecções persistentes pelo Vírus do Papiloma Humano, o HPV.
Este vírus propaga-se, sobretudo, pelo contacto sexual pelo que é fundamental a prática de sexo mais seguro.
Em Portugal, é já possível vacinar as raparigas contra o HPV.


Onde posso obter preservativos femininos gratuitos?
Em centros de saúde, hospitais e algumas Organizações Não Governamentais, como a Associação para o Planeamento da Família.

O preservativo feminino não está ainda disponível em farmácias.

Os preservativos femininos são tão eficazes contra as IST como os preservativos masculinos?
Sim. O nível de protecção é o mesmo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Disfunções Sexuais Masculinas

Muitos homens sentem-se ainda muito retraídos na procura de ajuda médica relativamente a problemas de carácter sexual e reprodutivo que possam ter. Mas quanto mais cedo assumirem que podem precisar de apoio e aconselhamento médicos, mais qualidade de vida ganham. É importante partilhar para não sofrer. Muitas das disfunções são facilmente tratáveis.

As disfunções sexuais mais comuns são:
Disfunção eréctil (ou impotência)
Ejaculação precoce
Ejaculação retardada


Disfunção eréctil
Definição

A disfunção eréctil ou impotência sexual é a incapacidade de obter ou de manter uma erecção suficiente para que haja penetração e satisfação sexual.

Para a resolução da disfunção eréctil é fundamental não só a ida a um médico, para diagnóstico adequado, assim como o diálogo aberto com a(o) parceira(o).

Causas

As causas da disfunção eréctil podem ser muito variadas:

Doenças vasculares (arteriosclerose, problemas cardíacos, hipertensão,etc.)
Problemas neurológicos (lesões nervosas, esclerose múltipla, doenças degenerativas, etc.)
Diabetes
Problemas hormonais (redução na produção de hormonas)
Uso de determinados medicamentos
Problemas psicológicos (ansiedade, stresse, depressão)
Formas de tratamento

Uma vez que as causas da disfunção eréctil são de natureza diversa, os tratamentos à disposição dos homens são variados. Antes de qualquer decisão, o médico começa por dar alguns conselhos que podem ser benéficos. Assim, recomenda-se normalmente, a prática de exercício físico, dieta, redução do consumo do álcool ou tabaco, bem como um maior tempo de descanso. Caso não se obtenham logo resultados, será necessário ponderar outras opções, como:

- Prescrição de fármacos
- Terapia ou aconselhamento sexual
- Auto-injecção peniana
- Terapia intra-uretral
- Uso de dispositivos de vácuo
- Aplicação de prótese ou implante peniano


Ejaculação precoce
Definição

Dificuldade em controlar a ejaculação, que ocorre de uma forma frequente antes, durante ou pouco depois da penetração, limitando a satisfação sexual. É uma das disfunções sexuais mais comuns, sobretudo entre os mais jovens.


Causas e tratamento

As causas são sobretudo psicológicas, relacionadas com alguma ansiedade. Pode também estar associada a consumo de álcool ou drogas.

Existem técnicas ao nível da psicologia e sexologia que podem ajudar o homem a controlar a relação sexual e evitar a ejaculação precoce.


Ejaculação retardada
Definição
A ejaculação retardada ou inibição da ejaculação consiste na incapacidade de ejacular durante o coito apesar da erecção. Trata-se de uma situação que pode desencadear alguma tensão e frustração, uma vez que o orgasmo é normalmente o objectivo da relação sexual. Por outro lado, pode aumentar outro tipo de prazer e satisfação, uma vez que prolonga no tempo a erecção. No entanto quando se torna perturbador, e não apenas ocasional, deve procurar-se apoio especializado.


Causas
A ejaculação retardada pode dever-se a cansaço, a stresse, a relações sexuais muito frequentes num curto espaço de tempo. O consumo de álcool ou droga pode também provocar situações de ejaculação retardada. Algumas razões de natureza psicológica devem também ser equacionadas.

sábado, 21 de maio de 2011

Os Homens e a Contracepção

O envolvimento dos homens na contracepção e planeamento familiar é habitualmente reduzido, estando essa responsabilidade associada às mulheres. É desejável, contudo, que a escolha e acompanhamento da utilização do método contraceptivo seja feita em conjunto, ainda que os métodos venham a ser utilizados pela mulher.

Métodos de contracepção masculinos

Preservativo
O preservativo constitui uma barreira à passagem do esperma para a vagina durante o coito. A maioria dos preservativos são feitos de latex. Quando usado correctamente, para além de ajudar a prevenir a gravidez, é um método que diminui o risco de contrair IST.

Vantagens

As grandes vantagens do preservativo masculino são o fácil acesso e eficácia na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis. Por outro lado, não precisa de acompanhamento médico e não tem contra-indicações relevantes.

Eficácia

Desde que bem utilizado, estima-se que a sua taxa de eficácia se situe entre 94% e 98%

Vasectomia
A vasectomia ou esterilização masculina é um método definitivo de contracepção, pelo que a sua opção tem de ser devidamente ponderada.

Enquanto procedimento, a vasectomia é uma operação simples que consiste no corte ou ressecção dos canais deferentes responsáveis pelo transporte dos espermatozóides que são expelidos durante a ejaculação. Durante os primeiros três meses após a operação, deve ser utilizado outro método alternativo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estrutura do aparelho reprodutor masculino


O pénis é um órgão externo essencialmente formado por três cilindros: o corpo esponjoso, localizado na parte inferior, e os corpos cavernosos que são contíguos ao pénis. Os três corpos compõem-se de um tecido esponjoso e irregular por onde passam vários vasos sanguíneos e que no momento da excitação sexual se enchem de sangue e incham, provocando a erecção do pénis.

À extremidade do pénis chama-se glande, extremamente sensível a estimulações físicas, uma vez que possui várias terminações nervosas.Na sua base encontramos a coroa e, na ponta, temos o orifício da uretra, o canal por onde passam a urina e o esperma. O prepúcio é a pele que cobre a glande e que pode ser retirada através da circuncisão.

Os testículos são um par de corpos de forma oval envolvidos pelo escroto ou saco escrotal. Normalmente, o testículo esquerdo descai um pouco mais que o direito. Os testículos têm duas funções: a de produzir testosterona e produzir os espermatozóides. O canal que recolhe os espermatozóides dos testículos e onde estes amadurecem em condições ideais chama-se epidídimo.

Os canais deferentes fazem a ligação entre o epidídimo e a vesícula seminal sendo vias de passagem do esperma durante a ejaculação.

A próstata, ou glândula prostática, loocaliza-se debaixo da bexiga e contorna a uretra, o canal por onde passa a urina e por onde é ejaculado o esperma. A próstata e as vesículas seminais produzem substâncias que vão alimentar os espermatozóides.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Saúde Sexual das Lésbicas

As mulheres lésbicas estão também sujeitas as riscos de saúde, pelo que a prevenção, ao nível das infecções sexualmente transmissíveis, é igualmente necessária.

Quando não detectadas, as IST podem conduzir a complicações de saúde graves. O risco de transmissão está directamente relacionado com determinadas práticas ou comportamentos como a partilha de brinquedos sexuais.

É fundamental encontrar profissionais de sáude com os quais se sinta confortável para conversar e que possa fazer o acompanhamento.

Sempre que se inicia uma nova relação sexual é importante falar com a parceira sobre as relações anteriores, de modo a prevenir os riscos de contrair uma IST.

Podem reduzir-se os riscos:
-usando dams (pequenos lenços de latex) durante o sexo oral/vaginal
-usando luvas de latex e lubrificantes à base de água durante o toque ou a penetração no ânus ou vagina
-utilizando preservativos e lubrificantes nas situações de partilha de vibradores
-pedindo à nova parceira um check-up para avaliar o estado de saúde sexual.
Em qualquer situação, o exame citológico ou Papanicolau deve ser feito regularmente.

domingo, 15 de maio de 2011

Principais doenças do aparelho reprodutor

Principais doenças do aparelho reprodutor
É fundamental que a mulher faça exames periódicos para avaliar o seu estado de saúde e prevenir as doenças do sistema reprodutor e procurar aconselhamento sempre que se sinta desconfortável na sua vida sexual e reprodutiva.

Principais doenças que afectam o aparelho reprodutor da mulher:
Cancro do Colo do Útero
Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
Cancro do Endométrio ou do Útero

Cancro do Colo do Útero
O Cancro do Colo do Útero tem a sua origem num dos vários tipos de Vírus do Papiloma Humano (HPV). O seu contágio ocorre na maior parte das vezes por via sexual.

Existem mais de 80 tipos de HPV: alguns afectam a pele e causam verrugas, outros afectam o aparelho genital e causam condilomas ou verrugas genitais.

Estima-se que 80% das mulheres e dos homens tenham contactado com o vírus em alguma fase da sua vida. Na maior parte das vezes a infecção é assintomática, o que significa que as pessoas desconhecem que a têm.

Nos casos em que isso não acontece, esta situação pode levar ao aparecimento do Cancro do Colo do Útero.

Factores de risco
O risco aumenta com o início precoce das relações sexuais e com o número de parceiros sexuais que uma pessoa tem ao longo da vida. As defesas imunológicas têm um papel fundamental ao proteger o desenvolvimento da infecção. Normalmente, a maioria das mulheres é capaz de combater a infecção.

Diagnóstico
A infecção por HPV pode ser diagnosticada de várias maneiras. A citologia do colo do útero, vulgaremente conhecida por Exame de Papanicolau, pode detectar as alterações celulares causadas pelo vírus. Estas alterações podem também ser detectadas através de um exame chamado Colposcopia que consiste na observação do colo do útero com um microscópio ou, no caso dos homens, através da observação do pénis com uma lupa - a Peniscopia.

Métodos de tratamento
Como ter a infecção não significa ter a doença, a infecção por si só não necessita de tratamento. No entanto, algumas manifestações da infecção como os condilomas da vulva, nas mulheres, ou do pénis, nos homens.

Se as alterações nas células ou nos tecidos são ligeiras, muitas vezes, não é necessário tratar, bastando uma vigilância adequada pelo seu médico. Já nos casos em que se verifiquem anomalias severas, o/a médico/a irá aconselhar o tratamento adequado.

Existe uma vacina contra o HPV ?

A vacina contra o Vírus do Papiloma Humano está já disponível. Em Portugal, são comercializadas duas marcas cuja compra é comparticipada pela mulher.

A vacinação é gratuita até aos 13 anos.



Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
A DIP é uma infecção do tracto genital superior feminino, o que significa que pode envolver o endométrio, as trompas, os ovários e estruturas adjacentes.

Em casos mais severos, a DIP pode causar infertilidade ou gravidezes ectópicas.

Causas
A DIP resulta normalmente da gonorreia ou da infecção por clamídia.

Factores de risco
idade inferior a 25 anos
múltiplos parceiros sexuais
utilização do DIU - Dispositivo Intra-uterino
Sintomas e tratamento

Os sintomas podem ser pouco perceptíveis e podem passar por dor na zona abdominal baixa, febre, secreção vaginal com mau odor, hemorragia irregular e dor durante as relações sexuais.

É possível curar a DIP com recurso a antibióticos e o seu tratamento deve ser iniciado assim que o problema é detectado.

Sintomas e tratamento
Os sintomas podem ser pouco perceptíveis e podem passar por dor na zona abdominal baixa, febre, secreção vaginal com mau odor, hemorragia irregular e dor durante as relações sexuais.

É possível curar a DIP com recurso a antibióticos e o seu tratamento deve ser iniciado assim que o problema é detectado.

Cancro do Endométrio ou do Útero
O endométrio é a mucosa que reveste o interior da cavidade uterina. Durante a vida da mulher, o endométrio sofre uma série de alterações. A formação de células malignas cancerígenas nos tecidos do endométrio provoca o cancro desta mucosa.

Factores de risco
-idade
-menstruar muito cedo
-entrar na menopausa muito tarde ou não ter filhos
-consumo excessivo de gordura e estilo de vida
-predisposição genética
-uso de hormonas como o estrogéneo

Sintomas
-hemorragia fora do período normal
-dificuldade ou dor em urinar
-dor durante a relação sexual
-dor na zona pélvica

Formas de tratamento
O tratamento disponível aplicável depende do estádio em que o cancro se encontra, mas pode incluir a cirurgia e a radioterapia.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Disfunções Sexuais Femininas

Disfunções Sexuais Femininas
As disfunções sexuais englobam os problemas que impedem uma vida sexual satisfatória. Podem abarcar a falta ou diminuição de desejo, a inexistência de orgasmo, dor durante a relação sexual e, em casos mais graves, aversão à actividade sexual.

Muitos factores podem estar na origem das disfunções sexuais: inflamações ginecológicas, uso de medicamentos, problemas psicológicos e de ansiedade, desequilíbrios hormonais, traumas sexuais, falta de experiência sexual e de conhecimento do corpo, problemas afectivos ou de natureza relacional.

Se a vivência sexual deve ser gratificante e comportar satisfação e prazer, então importa perceber as razões que levam à manifestação de uma disfunção. Frequentemente, a consulta junto de um terapeuta especializado é a forma mais eficaz de desbloquear medos e ansiedades.

Principais disfunções sexuais femininas

Perturbações de desejo
Vaginismo
Dor durante a relação sexual (Dispareunia)
Anorgasmia ou ausência de orgasmo


Perturbações de desejo
Uma das disfunções sexuais mais comuns é a falta de desejo ou desejo hipoactivo. Segundo investigações mais recentes, o desejo sexual feminino pode nem sempre ser espontâneo, i.e., pode surgir apenas quando a relação sexual foi já iniciada.

Vários factores podem estar na origem de um desejo hipoactivo, podendo estar relacionados com:

o grau de intimidade e tipo de relação com o companheiro/a
auto-imagem
estimulação sexual
existência de depressão
estilo de vida
medicação
idade


Vaginismo
O vaginismo consiste na dificuldade da mulher em tolerar a penetração. Trata-se de um problema que pode ter consequências na vivência sexual e relações afectivas.

Causas

Podem estar na origem do vaginismo factores orgânicos ou factores psicológicos e emocionais que incluem:

- Falta de informação e crenças erradas ou negativas sobre a sexualidade (culpa, educação conservadora)

- Inexperiência que pode conduzir a medos ou bloqueios
- Experiências prévias com dor
- Traumas sexuais (abusos sexuais)

Tratamento
As abordagens terapêuticas do vaginismo passam pela terapia sexual e a sugestão de exercícios e técnicas de relaxamento. A participação do companheiro é também útil no processo de eliminação de medos.Em determinados casos, pode ser necessária a prescrição de fármacos para atenuar a ansiedade.


Dispareunia
Designa-se por dispareunia a dor persistente na zona genital ou pélvica durante as relações sexuais, nomeadamente no momento das tentativas de penetração.

Causas

A dor pode surgir devido a problemas fisiológicos como inflamações ginecológica. Pode também estar relacionada com a falta de lubrificação ou excitação antes do coito, e estar ainda associada a factores traumáticos, como abusos sexuais decorridos na infância.

Tratamento

Nas situações em que se atribui a dor a factores psicológicos, o tratamento passa por terapia sexual onde tem lugar o aconselhamento e se exercitam técnicas de relaxamento. A intervenção medicamentosa ou médica é necessária para tratar os problemas fisiológicos.

Anorgasmia (ausência de orgasmo)
A anorgasmia é a incapacidade de obter um orgasmo.

A anorgasmia pode ser "primária", quando a mulher nunca experimentou um orgasmo, ou "secundária", quando ocorre apenas em determinadas circunstâncias.

Causas
As causas da anorgasmia podem ser diversas, destacando-se sobretudo a ansiedade. Mas para além desta, outros factores são inibidores do orgasmo:
- uso de determinados medicamentos (sobretudo antidepressivos)
- transtornos hormonais
- certas doenças crónicas
- atitude negativa em relação à actividade sexual
- conflitos relacionais

Tratamento

A educação e a informação sobre as respostas sexuais é muito importante e eficaz na resolução ou diminuição das perturbações do orgasmo. A descoberta gratificante do prazer ou a construção de atitudes positivas em relação ao sexo fazem normalmente parte da terapia.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Anatomia do Sistema Reprodutor Feminino

Anatomia

Órgãos internos



Órgãos externos



Como funciona o sistema reprodutor

O sistema reprodutor da mulher é responsável pela produção de hormonas sexuais femininas que mantêm o normal funcionamento do ciclo reprodutivo e está preparado para desempenhar várias funções, passando pelas seguintes etapas:

produção de células necessárias à reprodução: o óvulo e os ovócitos o óvulo é transportado para uma zona para que haja fertilização é nas Trompas de Falópio que a fecundação do óvulo pelo espermatozóide se pode dar, dando início a uma gravidez se a fertilização não ocorrer a mulher menstrua. Durante o período da menopausa, o sistema reprodutor feminino cessa a produção de hormonas femininas necessárias a que o ciclo reprodutivo funcione.



Ciclo menstrual e período fértil

O ciclo menstrual é o intervalo de tempo que decorre entre o primeiro dia de menstruação e o primeiro dia da menstruação seguinte.

Embora se diga que um ciclo dura 28 dias, a verdade é que a duração pode variar de mulher para mulher e nem sempre ter a mesma duração na mesma mulher.

A duração de um ciclo normal pode ir de 21 a 35 dias. Sendo assim, a mulher pode ter ciclos regulares ou irregulares.

À primeira menstruação dá-se o nome de menarca e ocorre entre os 10 e os 16 anos.

Nos adolescentes, os primeiros ciclos menstruais podem ser irregulares, não constituindo razão para preocupações.

Quando a mulher deixa de menstruar, diz-se que entrou no período de menopausa, o que significa que os ovários deixaram de produzir óvulos. Na maioria das mulheres, a menopausa ocorre entre os 45 e os 55 anos, podendo acontecer de forma súbita ou gradualmente.



Fases do ciclo menstrual

Fase pré-ovulatória

Durante o ciclo, a hipófise (glândula) e os ovários vão produzindo hormonas que comandam a escolha de um óvulo maduro, desencadeiam a ovulação e preparam o útero para uma eventual gravidez.

Desde o nascimento, os ovários contêm milhares de folículos nos quais se encontra o número de óvulos com que cada mulher poderá contar ao longo da sua vida reprodutiva. Muitos destes óvulos nunca chegam a amadurecer.

Nesta fase, à medida que os ovários produzem uma hormona feminina chamada estrogénio, um dos folículos cresce mais depressa do que os outros, fica cheio de líquido e o óvulo que o contém amadurece - chama-se folículo dominante. Quando este folículo se rompe ocorre a ovulação.

A duração desta fase é variável, dependendo do tempo que leva a escolha do folículo dominante. Este facto é responsável pela variação da duração dos ciclos menstruais.


Fase pós-ovulatória

Nesta fase, o folículo dominante sofre transformações. Chama-se agora corpo amarelo e produz uma hormona, a progesterona.

A progesterona é responsável pelas alterações que ocorrem no endométrio (mucosa que reveste o interior do útero), tornando-o mais espesso, com um maior número de vasos sanguíneos, água e glicogénio.

Estas transformações têm como objectivo preparar o útero para receber um óvulo fertilizado, criando as condições para o início de uma gravidez. Ao fim de 14 dias, cessa a produção de progesterona, caso não se inicie uma gravidez.

Dá-se uma queda do nível das hormonas no sangue e, consequentemente, a descamação do endométrio, ocorrendo a menstruação e iniciando-se um novo ciclo menstrual.


O que é o período fértil ?

O período fértil é o intervalo de tempo, no ciclo menstrual, em que as mulheres têm maior probabilidade de engravidar. Uma das formas de calcular o período fértil é saber qual a duração dos ciclos menstruais.

Método de cálculo

Durante 6 meses a 1 ano, a mulher deve anotar todos os meses num calendário o dia em que aparece a menstruação, contando o tempo que dura cada ciclo entre uma menstruação e a seguinte.

Uma vez feita esta contagem, subtrai-se ao ciclo mais curto, 18 dias, e ao ciclo mais longo, 11 dias.

Ao serem encontrados os resultados, o intervalo entre ambos, do menor para o maior, indica o intervalo de tempo no qual a mulher se encontra no período mais fértil dos seus ciclos.

Por exemplo:

Imaginemos um ciclo mais curto de 26 dias e um ciclo mais longo de 30 dias, então:

Ciclo mais curto: 26-18 = 8

Ciclo mais longo: 30-11 = 19

Este cálculo significa que os dias mais férteis neste ciclo situam-se entre o 8º e 19º dias.

Quando se fala em 8º dia, fala-se do 8º dia a contar da data do 1º dia da menstruação. Ao longo da vida da mulher, esta situação vai acontecer todos os meses e só é interrompida no caso da mulher engravidar.

sábado, 7 de maio de 2011

Interrupção Voluntária da Gravidez

Legislação sobre IVG

De acordo com a Lei 16/2007, a interrupção voluntária da gravidez é legal em Portugal desde:
Constitua o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
Se mostre indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e seja realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;
Haja seguros motivos para prever que o nascituro venha a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas de gravidez;
Por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez.


Etapas no Acesso à IVG Segura em Portugal
As complicações decorrentes do aborto não seguro são uma das principais causas de mortalidade materna em todo o mundo. Porém, se realizado na fase inicial, e com os cuidados de saúde apropriados, a Interrupção Voluntária da Gravidez é um procedimento médico seguro e com menores riscos para as mulheres.

Consulta prévia

A consulta prévia marca o início formal do processo de IVG. É uma consulta de carácter obrigatório. Nesta, o técnico de saúde deve esclarecer todas as dúvidas da mulher e fornecer a informação necessária tendo em vista uma tomada de decisão livre, informada e responsável.

A consulta pode ser marcada num serviço de saúde legalmente autorizado, como centros de saúde, maternidades, hospitais públicos ou em clínicas privadas devidamente autorizadas.
O período entre a marcação e a realização da consulta não pode exceder os 5 dias.
A consulta deve garantir que a mulher se encontra livre de pressões na sua tomada de decisão.
A mulher pode fazer-se acompanhar por terceiros em todo o processo de IVG.
Após de clarificado o pedido de IVG, é determinado o tempo de gestação (através de ecografia) e explicados os diferentes métodos de interrupção da gravidez.
No final da consulta prévia é marcada uma outra que será aquela em que se vai realizar a IVG.
A consulta é também um espaço privilegiado para o esclarecimento sobre os métodos contraceptivos.

Na consulta prévia é entregue à mulher um impresso do Consentimento Livre e Esclarecido que deverá ser lido, assinado e entregue ao médico até à data de realização da IVG.

No caso das mulheres menores de 16 anos ou mulheres psiquicamente incapazes, o Consentimento Livre e Esclarecido terá de ser assinado pelo seu representante legal (pai, mãe ou tutor).

É obrigatório um período de reflexão mínimo de 3 dias, entre a consulta prévia e a data da IVG, durante a qual a mulher pode solicitar apoio psicológico/aconselhamento ou apoio social. Este período poderá ser mais longo se a mulher assim o desejar.

Métodos de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG)
Existem dois métodos para interromper a gravidez: método cirúrgico e método medicamentoso. Ambos podem ser feitos em regime ambulatório, ou seja, sem ser necessário internamento.

De acordo com a legislação em vigor, a mulher pode escolher o método para interromper a gravidez e deve comunicar este pedido na consulta prévia.

Aborto cirúrgico

O aborto cirúrgico consiste na remoção do conteúdo uterino por Aspiração ou Dilatação e Curetagem. A intervenção pode ser realizada com anestesia local ou geral, tem uma duração de poucos minutos e a hospitalização dura normalmente uma manhã ou uma tarde.

Normalmente, após um aborto cirúrgico, não há necessidade da mulher ser observada novamente.

Aborto medicamentoso
A interrupção medicamentosa consiste na administração de fármacos cuja acção interrompe a gravidez. Os fármacos utilizados são o Misoprostol e o Mifepristone.

O Mifepristone é tomado sobre a forma de comprimido e actua como bloqueio à hormona responsável pela manutenção da gravidez, a progesterona. Sem esta, o revestimento do útero rompe e favorece a abertura do colo do útero.
O Misoprostol combinado com o Mifepristone irá aumentar as contracções do útero provocando a expulsão do conteúdo uterino.

Sobre este tema, veja as apresentações de Kristina Gemzell Danielsson e Christian Fiala, dois especialistas na área:

Medical Abortion for which gestational lenght? - Kristina Gemzell Danielsson

Improving Medical Abortion- Christian Fiala

Protocolo médico para a IVG medicamentosa até às 7 semanas de gestação

1º dia (3 dias após a consulta prévia) - Toma do Mifepristone no estabelecimento de saúde. 1 comprimido de 200mg por via oral.
3º dia (36 ou 48 horas após a toma do Mifepristone) - Toma do Misoprostol que pode ser feita em casa. 2 comprimidos, 400mg por via oral.
A utilização deste método de IVG é aconselhável apenas até às 9 semanas ou 63 dias de gestação.

Protocolo médico para a IVG medicamentosa entre as 7 e as 9 semanas de gestação em Portugal

1º dia (3 dias após a consulta prévia) - Toma do Mifepristone no estabelecimento de saúde. 1 comprimido de 200mg por via oral.
2º dia (36 ou 48 horas após a toma do Mifepristone) - Toma de Misoprostol que pode ser feita em casa. 2 comprimidos de 800mg por via vaginal.
É imprescindível que a mulher seja observada 14 a 21 dias após estes procedimentos para confirmar se a interrupção da gravidez foi completa.

Protocolo para a IVG cirúrgica em Portugal

Três dias após a consulta prévia, prepara-se o colo do útero com Misoprostol (2 comprimidos vaginais) 3 horas antes do procedimento cirúrgico.

A intervenção dura poucos minutos e a permanência no serviço dura normalmente uma manhã ou uma tarde.



Contactos de Apoio
Linha OPÇÕES - 707 200 249 - Linha de informação, aconselhamento e ajuda sobre a gravidez não desejada e acompanhamento contraceptivo. Dias úteis das 12h às 20h.

Linha SAÚDE 24 - 808 24 24 24 (24 horas por dia)

Direcção-Geral da Saúde - www.dgs.pt

Associação Médicos pela Escolha - www.medicospelaescolha.pt

SOS Grávida - 808 200 139 - Linha de informação, apoio e assistência a grávidas. Dias úteis, das 10h às 18h

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O que é um aborto?

Um aborto consiste na interrupção de uma gravidez com menos de 20 semanas de gestação.

Aborto espontâneo: consiste na interrupção de uma gravidez com menos de vinte semanas de gestação, devido a uma ocorrência acidental ou natural. A maioria dos abortos espontâneos tem origem numa incorrecta replicação dos cromossomas e/ou em factores ambientais. O aborto espontâneo pode ser precoce (até ás 12 semanas de gestação) ou tardio (após 12 semanas de gestação).

Aborto induzido: aborto provocado por uma acção humana deliberada. Também denominado por Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

Sinais de alarme pós-aborto (espontâneo ou induzido)

A mulher deve recorrer a um serviço de urgência caso se verifique:
-Hemorragia súbita e intensa
-Febre alta e persistente
-Cólicas abdominais acompanhadas de dores violentas
-Episódios de diarreia persistentes após as primeiras 24 horas
-Desconforto emocional muito intenso e prolongado, a ponto de interferir com o quotidiano da mulher

terça-feira, 3 de maio de 2011

Gravidez, Maternidade e Paternidade

Se Quer Engravidar
Uma gravidez deve ser planeada. Isso significa que há alguns factores a ter em conta de modo a ter uma gravidez e maternidade tranquilas:

-o orçamento familiar
-a disponibilidade
-os diversos recursos disponíveis (apoio familiar, existência de creches, outros.)

Antes de interromper o método contraceptivo que está a ser utilizado deve-se procurar um médico e realizar a chamada consulta pré-natal. Esta consulta pode ser feita no centro de saúde ou com o ginecologista.

O ideal é estar o casal na consulta. Todas as informações fornecidas por ambos são fundamentais e podem influenciar a saúde do futuro filho ou filha. O estado de saúde do casal, especialmente da mãe condiciona as recomedações que o médico irá fazer.

Se Está Grávida
Como saber se está grávida

Se a menstruação não aparecer na data esperada, ao fim de uma semana pode ser feito um teste de gravidez através da urina. Este teste pode ser feito se for comprado numa farmácia ou num supermercado. Também pode recorrer aos técnicos de um centro de saúde.

A importância de ir ao médico

É muito importante que a grávida seja vigiada e acompanhada durante a gravidez através de consultas periódicas que podem ser feitas num centro de saúde. As consultas permitem diagnosticar precocemente doenças e infecções, evitando assim partos prematuros.

Cuidados essenciais durante a gravidez

Comer várias vezes ao dia. Evitar os doces e beber bastante leite. Não ingerir bebidas alcóolicas. É importante dar um passeio a pé ou manter alguma actividade física. Há também cuidados a ter com a medicação.

Efeitos psicológicos de gravidez

Os sentimentos de alguma insegurança e de inquietação são normais. Os receios por se estar numa fase de grande transformação física e psicológica e são mais evidentes quando se trata da primeira gravidez.

Quando estes sinais se tornarem mais fortes, a mulher deve pedir apoio ao seu companheiro, familiares, amigos ou serviços específicos de ajuda abordando naturalmente os receios que sente.


Se Não Consegue Engravidar
Um casal é considerado infértil quando tem relações sexuais regularmente durante um ano, sem usar qualquer método contraceptivo e não consegue uma gravidez.

Há várias causas para a infertilidade. Cerca de metade dos casos deve-se a alterações relacionadas com o homem, a outra metade com a mulher. Nestas circunstâncias o casal deve ir a um serviço de saúde de modo a identificar as causas e poder ser ajudado.

O médico de família deve reencaminhar as pessoas com o diagnóstico para as consultas de infertilidade existentes nos hospitais públicos ou em serviços de saúde privados.

Com as técnicas existente, muitas das pessoas consideradas inférteis conseguirão ter um ou mais filhos, embora o processo possa ser mais demorado.


Direitos Fundamentais de Mães e Pais
Qualquer grávida, portuguesa ou estrangeira, mesmo que não esteja inscrita na Segurança Social, tem direito a consultas médicas, bem como a exames e internamentos gratuitos, quando aconselhados pelo médico assistente, durante a gravidez, o parto e nos 60 dias a seguir ao nascimento.
O pai tem igualmente direito a exames gratuitos, quando esses exames forem considerados pelo médico assistente da grávida.
As trabalhadoras grávidas têm direito a dispensa de trabalho para se deslocarem a consultas de vigilância da gravidez.
A mãe tem direito a ser dispensada para amamentação ou aleitamento, por dois períodos distintos, com duração máxima de uma hora em cada dia de trabalho, até o filho ter um ano. Este direito não implica a perda de salário ou de qualquer outra regalia.
O pai também tem direito a usufruir desta licença desde que a mulher não queira ou não a possa gozar.
Durante a gravidez e até 3 meses após o parto, a mulher tem direito a não executar tarefas que sejam desaconselhadas à sua situação, tais como:
- tarefas violentas
- manipulação de produtos perigosos ou tóxicos
- exposição a condições que prejudiquem a saúde

As trabalhadoras grávidas têm direito a uma licença de maternidade de 120 dias, 90 dos quais terão de ser obrigatoriamente gozados a seguir ao parto; os restantes 30 dias poderão ser gozados, na totalidade ou em parte, antes do parto.
Em algumas situações o pai tem direito a esta licença em alternativa à mãe (nomeadamente nos casos da incapacidade física ou psíquica da mãe e enquanto esta se mantiver, em caso de morte ou por decisão conjunta dos pais).
O pai tem direito a uma licença de cinco dias úteis, seguidos ou intervalados, no primeiro mês a seguir ao nascimento do filho.
Nos casos de nascimentos múltiplos, o período de licença previsto no número anterior é acrescido de mais 30 dias por cada gemelar além do primeiro.
No caso de a mulher ter de ser internada devido a uma situação de risco, o período de licença anterior ao parto pode ser prolongado por mais de 30 dias, sem perda do direito aos 90 dias de licença a seguir ao parto.
Em caso de aborto, a mulher tem direito a licença com duração mínima de 14 dias e máxima de 30 dias.

Gravidez na Adolescência
A gravidez no período da adolescência produz inevitavelmente um forte impacto psicológico na rapariga e também nos rapazes. As consequências não são apenas a curto prazo, mas prolongam-se no tempo.

Se és adolescente e suspeitas de uma gravidez, clica aqui
Reflexões sobre causas e consequências da gravidez na adolescência
Bibliografia sobre gravidez e maternidade precoces
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens populares

Objectivo Mínimos da Ed.Sexual (por Ciclo)

1.º ciclo (1.º ao 4.º anos)

- Noção de corpo;

- O corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural;

- Noção de família;

- Diferenças entre rapazes e raparigas;

- Protecção do corpo e noção dos limites, dizendo não às
aproximações abusivas.


2.º ano
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor deve esclarecer os alunos sobre questões e dúvidas que surjam naturalmente, respondendo de forma simples e clara.


3.º e 4.º anos
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor poderá desenvolver temas que levem os alunos a compreender a necessidade de proteger o próprio corpo, de se defender de eventuais aproximações abusivas, aconselhando que, caso se deparem com dúvidas ou problemas de identidade de género, se sintam no direito de pedir ajuda às pessoas em quem confiam na família ou na escola.


2.º ciclo (5.º e 6.º anos)
- Puberdade — aspectos biológicos e emocionais;

- O corpo em transformação;

- Caracteres sexuais secundários;

- Normalidade, importância e frequência das suas variantes
biopsicológicas;

- Diversidade e respeito;

- Sexualidade e género;

- Reprodução humana e crescimento; contracepção e
planeamento familiar;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas;

- Dimensão ética da sexualidade humana.


3.º ciclo (7.º ao 9.º anos)
- Dimensão ética da sexualidade humana:

- Compreensão da sexualidade como uma das componentes
mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que integre valores (por exemplo: afectos,ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária) e uma dimensão ética;

- Compreensão da fisiologia geral da reprodução humana;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários);

- Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo (incluindo infecção por VIH/vírus da imunodeficiência humana — HPV2/vírus do papiloma humano — e suas consequências) bem como os métodos de prevenção.

- Saber como se protege o seu próprio corpo, prevenindo a violência e o abuso físico e sexual e comportamentos sexuais de risco, dizendo não a pressões emocionais e sexuais;

- Conhecimento das taxas e tendências de maternidade e da paternidade na adolescência e compreensão do respectivo significado;

- Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado;

-Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Ensino secundário
- Compreensão ética da sexualidade humana.

- Sem prejuízo dos conteúdos já enunciados no 3.º ciclo,sempre que se entenda necessário, devem retomar -se temas previamente abordados, pois a experiência demonstra
vantagens de se voltar a abordá -los com alunos que, nesta
fase de estudos, poderão eventualmente já ter iniciado a vida sexual activa. A abordagem deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos
adolescentes na actualidade:

- Compreensão e determinação do ciclo menstrual em geral, com particular atenção à identificação, quando possível, do período ovulatório, em função das características dos ciclos menstruais.

- Informação estatística, por exemplo sobre:
-Idade de início das relações sexuais, em Portugal e na UE;
- Taxas de gravidez e aborto em Portugal;
- Métodos contraceptivos disponíveis e utilizados; segurança
proporcionada por diferentes métodos; motivos que
impedem o uso de métodos adequados;
- Consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade
e da paternidade de gravidez na adolescênciae do aborto;
- Doenças e infecções sexualmente transmissíveis (como
infecção por VIH e HPV) e suas consequências;
- Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Recomendamos ...

Arquivo do blog