quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando um amigo tem SIDA

Quando alguém que conhecemos é atingido pela SIDA, sentimo-nos impotentes, desamparados, temos medo de não estar à altura de lidar com a angústia que isso provoca. Se se trata de um amigo íntimo, decerto que lhe diremos "telefona-me sempre que precisares de qualquer coisa". Mas, reconheçamos, temos medo que isso aconteça.

Não devemos evitar este amigo que precisa de nós pois podemos ser uma fonte de de conforto e, logo, de esperança (nesse momento, um verdadeiro amigo é mais valioso do que nunca). Se queremos sinceramente ajudar essa pessoa, as sugestões que vêm a seguir poderão permitir que o façamos da melhor maneira. O texto que aqui reproduzimos foi concebido pela Associação Abraço.


Vida prática

Telefone-lhe para saber se pode passar lá em casa. Deixe o seu(ua) amigo(a) decidir; ele(a) pode não ter vontade de o receber nesse dia.
Peça-lhe a lista de compras a fazer. Telefone-lhe a saber o que é que ele(a) precisa da mercearia ou do talho. Carregar os sacos das compras é cansativo.
Telefone-lhe e diga-lhe que gostaria de cozinhar um petisco. Deixe-o(a) escolher o dia e a hora da refeição. Programe o seu tempo de forma a poder partilhar calmamente essa refeição.
Proponha-se a ajudá-lo(a) a responder às cartas difícieis que colocam problemas, em especial a correspondência administrativa e aquela que ele(a) evita responder. Tente evitar-lhe os problemas relacionados com o pagamento de facturas em atraso (telefone, electricidade...).
E as limpezas domésticas? Sabe que muitas vezes uma depressão começa numa casa desarrumada. Ajude-o(a) nas lavagens da roupa, limpe o pó, cuide dasplantas e dê de comer aos animais domésticos, que são muitas vezes a companhia mais chegada que o(a) seu(ua) amigo(a) tem.
Ajude-o(a) a pentear-se, a fazer a barba e a cuidar da aparência física.
Deixe o(a) seu(ua) amigo(a) exprimir-se. Encoraje-o(a) a tomar decisões, mesmo as mais banais. A doença fez-lhe certamente perder o controlo de muitos aspectos práticos da vida. Não lhe negue a oportunidade de tomar decisões, por insignificantes e mínimas que lhe possam parecer.
Seja imaginativo(a)! Leve-lhe jornais, revistas, livros, CDs, flores, um doce. Agora tudo isso pode ter muita importância, para lhe dar alegria e calor humano.
Se o(a) seu(ua) amigo(a) segue um tratamento relacionado com a dependência de drogas pode acompanha-lo(a) às consultas. Por vezes, os horários das tomas dos medicamentos são complicados e difícies de memorizar. Pergunte-lhe se precisa de ajuda para programar o despertador ou ofereça-se para lhe telefonar se ele(a) achar necessário. Mas, tenha cuidado: evite insistências indesejáveis.


Tempos livres

Uma saída, um passeio juntos pode ser muito agradável. Tenha em consideração os limites da resistência física do(a) seu(ua) amigo(a).
Celebre com ele(a) as datas festivas; proponha-lhe decorar a sala ou o quarto. Ofereça-lhe uma prenda. Leve-o(a) a convidar os amigos mais chegados. As festas não estão todas marcadas no calendário... é fácil inventá-las.
Sugira-lhe um passeio de carro à praia ou ao campo, uma ida ao cinema ou qualquer outra actividade que o(a) faça sentir melhor.
Conte-lhe os pequenos acontecimentos quotidianos. Ponha-o(a) ao corrente das actividades do seu círculo de amigos.


A propósito da doença

O(A) seu(ua) amigo(a) talvez esteja cansado de falar sobre o seu estado de saúde. Mas se ele(a) sente necessidade de o fazer ou de falar do medo de morrer, não o impeça. Quem, para além de si, poderá escutá-lo(a)?
Pode pôr-lhe questões sobre a sua doença. Mas tente perceber se o(a) seu(ua) amigo(a) tem vontade de ter esse tipo de conversa.
Se o acha com boa cara diga-lho, mas só se for caso disso. Se o aspecto físico do(a) seu(ua) amigo(a) mudou, não tente ignorá-lo. Não precisa de mentir. É a dignidade do doente que está em jogo. mas nada o impede de ajudá-lo(a) a melhorar o seu aspecto.
Não passe o tempo a dar-lhe lições de moral! E sobretudo nada de lições de coragem. Se o(a) seu(ua) amigo(a) enfrenta a doença de uma forma que considera não ser a melhor, não o(a) critique severamente. Talvez não possa compreender os estados de espírito e as escolhas que ele(a) tem de enfrentar.
Não confunda a aceitação da doença com fatalismo. Não deixe o(a) seu(ua) amigo(a) sentir-se culpado(a) por estar doente. Lembre-lhe que esta doença não é provocada por um "estilo de vida" mas sim por um vírus.


Ajuda e conforto

Reconfortar pode ser muito simples, basta estar presente. Não hesite em dar-lhe um beijo, fazer-lhe uma festa ou acariciar. A SIDA não se transmite assim - todos o sabemos. Mas talvez não se tenha dado conta que, com o simples gesto de pousar a mão na mão do(a) seu(ua) amigo(a) pode demonstrar-lhe que está perto dele(a).
Cumpra todas as suas promessas.
Não precisa de ter sempre motivo de conversa. O silêncio é também importante: uma presença amiga pode ajudar a adormecer, enquanto que a solidão pode manter uma vigília ansiosa. Pode-se simplesmente ouvir música ou ver televisão em conjunto.
Prepare-se para a eventualidade de o(a) seu(ua) amigo(a) ter períodos de cólera sem razão aparente, mesmo que pense que tem dado o seu melhor. Como todos nós, os doentes têm dias bons e dias maus. Nos dias bons, trate o(a) seu(ua) amigo(a) da mesma maneira que trata todos os seus amigos mas, nos dias maus, tenha um cuidado especial com ele(a). Lembre-se que, com frequência, todos nós manifestamos a nossa revolta e a nossa frustração com aqueles que estão próximos porque sabemos que nos compreendem. O(A) seu(ua) amigo(a) que está doente não deve sentir-se impedido de demonstrar a sua angústia.
Se vai estar fora, escreva-lhe um postal.
Se ambos têm fé, acompanhe-o(a) à igreja ou reze com ele(a). Não hesite em compartilhar a sua fé com o(a) seu(ua) amigo(a). A espiritualidade pode ser um recurso valiosíssimo, especialmente nesta altura.
Querem ter relações sexuais? Podem fazê-lo, uma vez que ambos sabem quais as precauções que devem tomar para se protegerem. Sejam imaginativos. A ternura pode exprimir-se através de gestos, carícias e massagens.
Fale com o(a) seu(ua) amigo(a) no futuro. Amanhã, na próxima semana, no ano que vem... É importante olhar para o futuro sem negar a realidade do presente. É importante ter esperança.


A família e os amigos

Os que se ocupam do(a) seu(ua) amigo(a) também precisam de falar com alguém. Convide-os a sair consigo. Faça-lhes companhia. Embora seja o(a) seu(ua) amigo(a) que está doente, eles podem sentir-se "em baixo".
Se o(a) seu(ua) amigo(a) tem filhos, ofereça-se para os acompanhar à escola ou ao dentista, por exemplo. se não vivem com ele(a) convide-os para um passeio ou para uma ida ao cinema.
Finalmente, trate de si próprio também. Dê atenção às suas próprias emoções e saiba respeitar os seus limites. Converse com os seus amigos, com a família ou com um grupo de apoio. Sentindo-se apoiado, conseguirá ajudar melhor o seu amigo(a) que está doente.

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Objectivo Mínimos da Ed.Sexual (por Ciclo)

1.º ciclo (1.º ao 4.º anos)

- Noção de corpo;

- O corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural;

- Noção de família;

- Diferenças entre rapazes e raparigas;

- Protecção do corpo e noção dos limites, dizendo não às
aproximações abusivas.


2.º ano
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor deve esclarecer os alunos sobre questões e dúvidas que surjam naturalmente, respondendo de forma simples e clara.


3.º e 4.º anos
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor poderá desenvolver temas que levem os alunos a compreender a necessidade de proteger o próprio corpo, de se defender de eventuais aproximações abusivas, aconselhando que, caso se deparem com dúvidas ou problemas de identidade de género, se sintam no direito de pedir ajuda às pessoas em quem confiam na família ou na escola.


2.º ciclo (5.º e 6.º anos)
- Puberdade — aspectos biológicos e emocionais;

- O corpo em transformação;

- Caracteres sexuais secundários;

- Normalidade, importância e frequência das suas variantes
biopsicológicas;

- Diversidade e respeito;

- Sexualidade e género;

- Reprodução humana e crescimento; contracepção e
planeamento familiar;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas;

- Dimensão ética da sexualidade humana.


3.º ciclo (7.º ao 9.º anos)
- Dimensão ética da sexualidade humana:

- Compreensão da sexualidade como uma das componentes
mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que integre valores (por exemplo: afectos,ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária) e uma dimensão ética;

- Compreensão da fisiologia geral da reprodução humana;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários);

- Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo (incluindo infecção por VIH/vírus da imunodeficiência humana — HPV2/vírus do papiloma humano — e suas consequências) bem como os métodos de prevenção.

- Saber como se protege o seu próprio corpo, prevenindo a violência e o abuso físico e sexual e comportamentos sexuais de risco, dizendo não a pressões emocionais e sexuais;

- Conhecimento das taxas e tendências de maternidade e da paternidade na adolescência e compreensão do respectivo significado;

- Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado;

-Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Ensino secundário
- Compreensão ética da sexualidade humana.

- Sem prejuízo dos conteúdos já enunciados no 3.º ciclo,sempre que se entenda necessário, devem retomar -se temas previamente abordados, pois a experiência demonstra
vantagens de se voltar a abordá -los com alunos que, nesta
fase de estudos, poderão eventualmente já ter iniciado a vida sexual activa. A abordagem deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos
adolescentes na actualidade:

- Compreensão e determinação do ciclo menstrual em geral, com particular atenção à identificação, quando possível, do período ovulatório, em função das características dos ciclos menstruais.

- Informação estatística, por exemplo sobre:
-Idade de início das relações sexuais, em Portugal e na UE;
- Taxas de gravidez e aborto em Portugal;
- Métodos contraceptivos disponíveis e utilizados; segurança
proporcionada por diferentes métodos; motivos que
impedem o uso de métodos adequados;
- Consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade
e da paternidade de gravidez na adolescênciae do aborto;
- Doenças e infecções sexualmente transmissíveis (como
infecção por VIH e HPV) e suas consequências;
- Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

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