sexta-feira, 15 de junho de 2012

Orgasmo feminino

Numa altura em que as mulheres afirmam cada vez mais o que querem, não admira que o prazer seja um tema central. Mas será que as inúmeras teorias e estatísticas centradas no clímax são reflexo da realidade? Em entrevista à saber viver, Marta Crawford, sexóloga, desmitificou alguns tabus relacionados com a sexualidade feminina e analisou aquilo que define como o «momento sublime da excitação sexual, o auge em termos de prazer».Ou, por outras palavras, o orgasmo! Aprenda a tirar (maior) partido do seu corpo e vibre de prazer! 

Qual é a importância do orgasmo? 
O orgasmo não é o objectivo principal. Pode até não ocorrer e a relação ser satisfatória. Contudo, mesmo numa relação ocasional, todo o envolvimento entre as pessoas é importante para atingir o clímax. 

Quais são as principais fases até o clímax? 
O desejo, a excitação e o orgasmo. Por vezes, a excitação surge antes do desejo. Através da estimulação, a excitação é provocada e o desejo da relação sexual acontece. O desejo é estar disponível para interagir sexualmente (ou sozinha) e receptivo à vontade do outro. Neste processo, há alterações fisiológicas, nomeadamente ao nível da respiração, da tensão muscular, da lubrificação (na mulher) e da erecção (no homem). O corpo prepara-se para a relação sexual. O auge é o momento em que as alterações físicas atingem o nível máximo, isto é, o clímax. O orgasmo é subjectivo, uma vez que cada pessoa o vivência à sua maneira, mas é um momento em que há uma espécie de descarga. 

O que distingue o orgasmo feminino do masculino? 
A mulher com a sua capacidade de ter vários orgasmos vive-os de forma mais interessante. O homem vive a sua sexualidade de um modo mais linear, rápido, como se atingir o orgasmo fosse o prémio de consolação. 

Que relação existe entre o ponto G e o orgasmo? 
Tenho um certo descrédito quanto ao ponto G. Penso que o prazer deve existir no sentido de estimular mais a mulher e não de estimular um determinado ponto em particular. 

É possível atingir o clímax via Internet?
Sim, estes meios estão cada vez mais em foco e através da masturbação atinge-se o orgasmo. Diante do ecrã, as pessoas desprendem-se dos seus medos e, como consequência, as conversas tornam-se rapidamente mais íntimas e erotizadas. A única vantagem é impedir as doenças sexualmente transmissíveis. 

Que factores podem impedir o orgasmo?
Os problemas educacionais, medos e preconceitos relativamente à sexualidade podem dificultar o momento de prazer supremo. Se a mulher fez auto-descoberta do corpo, se sente bem quando está nua e na relação com outra pessoa isso leva-a a libertar-se para o orgasmo. Quando não é o caso, é complicado atingir o ponto máximo de excitação. 

Como podemos superá-los? 
Através do diálogo, da capacidade de perceber que há um problema e técnicos específicos para ajudar. É preciso aprender outras alternativas para viver uma sexualidade em pleno. Interessa é que cada um consiga encontrar o equilíbrio no qual ambos tenham satisfação na relação. 

A que especialista se deve recorrer? 
A um sexólogo ou terapeuta sexual para avaliar e tentar resolver o problema. As abordagens dependem do caso e podem ser muito complexas, todavia muitas questões estão relacionadas com o foro sexual e com relacionamento, nomeadamente na conjugalidade, na gestão do quotidiano, nas questões de poder, nas relações com filhos ou na comunicação. 

A dificuldade em atingir o orgasmo pode dever-se a problemas de saúde? 
Normalmente, a maior parte das pessoas que procura ajuda já tem a noção de que, eventualmente, se trata de uma questão psicológica ou vivencial. Pode haver razões físicas, a nível clitoriano, por exemplo, em situações como radioterapia sobre a pélvis, lesões dos nervos da região pélvica e genitália externa, como consequência de acidente, doenças crónicas ou lesão medular. 

A forma como se vive o orgasmo muda ao longo da vida? 
A sexualidade tem imensos tempos e todos podem ser brilhantes até ao fim da vida. As vivências não têm que ter sempre a mesma forma e intensidade. Com o avançar da idade a mulher sente-se mais confiante com o corpo, com a vida e consigo. Terá mais maturidade para uma vivência sexual mais intensa. 

Que técnicas ajudam a melhorar o orgasmo feminino? 
O lubrificante normal facilita a sexualidade, aumenta a excitação e torna mais fácil atingir o orgasmo. Fundamentais são os preliminares! Directamente ligados ao tipo de relação que se tem com o parceiro ou parceira, o respeito que existe entre o casal, a manutenção da relação e as pequenas atenções do dia-a-dia. 

Sexo é sinónimo de orgasmo? 
O sexo é muito mais abrangente, não é apenas o coito. Tudo é sexo desde que os dois queiram e se sintam bem no que estão a fazer independentemente de haver coito ou não. Sexo oral, masturbação, carícias, beijos são comportamentos sexuais e todos eles permitem chegar a um ponto alto de excitação e ao orgasmo. Um último conselho para as leitoras da revista saber viver… Olhe para si, descubra como é a sua vagina, a sua vulva, aprenda a acariciar-se sem ter vergonha de o fazer, porque, de facto, primeiro somos um e depois é que somos dois. Fonte: Orgasmo feminino | Planeamento Familiar

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Objectivo Mínimos da Ed.Sexual (por Ciclo)

1.º ciclo (1.º ao 4.º anos)

- Noção de corpo;

- O corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural;

- Noção de família;

- Diferenças entre rapazes e raparigas;

- Protecção do corpo e noção dos limites, dizendo não às
aproximações abusivas.


2.º ano
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor deve esclarecer os alunos sobre questões e dúvidas que surjam naturalmente, respondendo de forma simples e clara.


3.º e 4.º anos
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor poderá desenvolver temas que levem os alunos a compreender a necessidade de proteger o próprio corpo, de se defender de eventuais aproximações abusivas, aconselhando que, caso se deparem com dúvidas ou problemas de identidade de género, se sintam no direito de pedir ajuda às pessoas em quem confiam na família ou na escola.


2.º ciclo (5.º e 6.º anos)
- Puberdade — aspectos biológicos e emocionais;

- O corpo em transformação;

- Caracteres sexuais secundários;

- Normalidade, importância e frequência das suas variantes
biopsicológicas;

- Diversidade e respeito;

- Sexualidade e género;

- Reprodução humana e crescimento; contracepção e
planeamento familiar;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas;

- Dimensão ética da sexualidade humana.


3.º ciclo (7.º ao 9.º anos)
- Dimensão ética da sexualidade humana:

- Compreensão da sexualidade como uma das componentes
mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que integre valores (por exemplo: afectos,ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária) e uma dimensão ética;

- Compreensão da fisiologia geral da reprodução humana;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários);

- Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo (incluindo infecção por VIH/vírus da imunodeficiência humana — HPV2/vírus do papiloma humano — e suas consequências) bem como os métodos de prevenção.

- Saber como se protege o seu próprio corpo, prevenindo a violência e o abuso físico e sexual e comportamentos sexuais de risco, dizendo não a pressões emocionais e sexuais;

- Conhecimento das taxas e tendências de maternidade e da paternidade na adolescência e compreensão do respectivo significado;

- Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado;

-Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Ensino secundário
- Compreensão ética da sexualidade humana.

- Sem prejuízo dos conteúdos já enunciados no 3.º ciclo,sempre que se entenda necessário, devem retomar -se temas previamente abordados, pois a experiência demonstra
vantagens de se voltar a abordá -los com alunos que, nesta
fase de estudos, poderão eventualmente já ter iniciado a vida sexual activa. A abordagem deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos
adolescentes na actualidade:

- Compreensão e determinação do ciclo menstrual em geral, com particular atenção à identificação, quando possível, do período ovulatório, em função das características dos ciclos menstruais.

- Informação estatística, por exemplo sobre:
-Idade de início das relações sexuais, em Portugal e na UE;
- Taxas de gravidez e aborto em Portugal;
- Métodos contraceptivos disponíveis e utilizados; segurança
proporcionada por diferentes métodos; motivos que
impedem o uso de métodos adequados;
- Consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade
e da paternidade de gravidez na adolescênciae do aborto;
- Doenças e infecções sexualmente transmissíveis (como
infecção por VIH e HPV) e suas consequências;
- Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

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