segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Transmissão do VIH por via oral

Q1. A transmissão do VIH por via oral foi alguma vez relatada? 
R1. Existe evidência que resulta da confirmação por recentes estudos de casos individuais, que o VIH se transmite por sexo oral. Potencialmente, a forma mais arriscada de sexo oral para uma pessoa não infectada é o felácio receptivo com ejaculação para a boca devido à exposição a maior quantidade de VIH do esperma da pessoa infectada. 

Q2. No que toca à transmissão do VIH, o sexo oral é a forma mais segura de sexo não protegido com penetração? 
R2. A evidência demonstra que o sexo oral é menos perigoso que o sexo desprotegido anal e vaginal. Está bem estabelecido que o sexo anal desprotegido é a forma de sexo desprotegido mais perigosa. O risco associado ao sexo oral, anal e vaginal pode ser aumentado (ex. inflamações, úlceras na boca, vagina, pénis ou recto). O sexo oral é comum entre heterossexuais e homossexuais. Apesar do sexo oral desprotegido poder ser menos arriscado, do que o sexo desprotegido anal e vaginal, a frequência do sexo oral em alguns grupos pode aumentar a sua contribuição relativa para a transmissão VIH. 

Q3. Que proporção de novas infecções podem ser atribuídas ao sexo oral? 
R3. Estudos recentes, essencialmente em homossexuais masculinos, em S. Francisco e em Londres , sugerem que 6 a 8% das novas infecções foram adquiridas apenas por sexo oral. 

Q4. O sexo oral é menos arriscado que o sexo sem penetração? 
R4. O sexo oral coloca mais riscos que o sexo sem penetração, tal como a masturbação mútua, contacto boca a boca, esfregar um corpo contra o outro, e abraços e massagens, em que existe o mínimo de oportunidade de contacto de fluidos corporais potencialmente infecciosos. Não existem relatos de transmissão do VIH relacionados com estas actividades. 

Q5. A boa higiene oral pode diminuir ou aumentar a transmissão VIH via sexo oral? 
R5. Uma boa higiene oral pode diminuir o risco, mas a escovagem e a passagem do fio dental pouco antes do sexo oral pode aumentar a transmissão, especialmente se as gengivas sangrarem. A utilização de culutórios orais antes ou depois do sexo oral podem não ser úteis; em vez de aumentar a protecção pode diminui-la através da remoção de substâncias de protecção normalmente encontrada na cavidade oral. 


Q6. Que factores podem aumentar o risco de transmissão através do sexo oral? 
R6. Doenças ou infecções na cavidade oral, que comprometam a protecção da cavidade oral e garganta podem aumentar o risco de transmissão do VIH durante o sexo oral (ex. úlceras bocais, gengivas inflamadas, garganta irritada, ou gengivas a sangrar após escovagem ou utilização de fio dental). O sexo oro-vaginal durante o período de menstruação pode colocar mais riscos de transmissão do que em outras alturas. Os níveis elevados de vírus no sangue (carga viral elevada) podem corresponder a níveis elevados de vírus no esperma e nos fluidos vaginais, podendo aumentar o risco de transmissão VIH através do sexo com penetração não protegido, incluindo o sexo oral. Os níveis elevados da carga viral estão associados ao início da infecção e a estágios mais avançados da doença. 

Q7. Como é que o VIH é transmitido através do sexo oral? 
R7. O VIH está presente nos fluidos genitais, como o esperma, fluido pré-ejaculatório e secreções vaginais e cervicais. Conhecimentos actuais sobre a quantidade de vírus nos fluidos genitais e saliva indicam que algum material infeccioso pode ser difundido entre parceiros se um deles estiver infectado. O que sabemos sobre a biologia do VIH e da cavidade oral indica que a transmissão do VIH através do sexo oral é possível e suporta a conclusão de que o risco é real, mas menor que outro tipo de exposição através de sexo com penetração. 

Q8. Será que evitar a ejaculação elimina o risco de transmissão? 
R8. Algumas pessoas praticam o sexo oral evitando a ejaculação como uma estratégia de redução de risco. Mas o VIH tem sido encontrado nos fluidos pré-ejaculatórios e têm sido relatados casos de transmissão do VIH através do sexo oral sem ejaculação na boca. É provável que o aumento de volume dos fluidos infectados possam resultar num aumento da exposição ao vírus e que evitar a ejaculação na boca possa diminuir o risco de transmissão. 

Q9. Será que outras infecções podem ser transmitidas através do sexo oral? 
R9. As infecções sexualmente transmissíveis como a gonorreia, a clamídia, a sífilis, o vírus herpes simplex, o HPV, e o vírus da hepatite B podem ser transmitidas através do sexo oral. 

Q10. O que pode ser feito para diminuir o risco de transmissão por via oral? 
R10. A utilização de preservativo durante o sexo oral pode diminuir o risco de transmissão do VIH e outras infecções pela actuação de uma barreira de protecção contra os fluidos corporais (ex. esperma, fluidos vaginais). Adaptado: Coordenação Nacional para a Infecção VIH /SIDA

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Objectivo Mínimos da Ed.Sexual (por Ciclo)

1.º ciclo (1.º ao 4.º anos)

- Noção de corpo;

- O corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural;

- Noção de família;

- Diferenças entre rapazes e raparigas;

- Protecção do corpo e noção dos limites, dizendo não às
aproximações abusivas.


2.º ano
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor deve esclarecer os alunos sobre questões e dúvidas que surjam naturalmente, respondendo de forma simples e clara.


3.º e 4.º anos
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor poderá desenvolver temas que levem os alunos a compreender a necessidade de proteger o próprio corpo, de se defender de eventuais aproximações abusivas, aconselhando que, caso se deparem com dúvidas ou problemas de identidade de género, se sintam no direito de pedir ajuda às pessoas em quem confiam na família ou na escola.


2.º ciclo (5.º e 6.º anos)
- Puberdade — aspectos biológicos e emocionais;

- O corpo em transformação;

- Caracteres sexuais secundários;

- Normalidade, importância e frequência das suas variantes
biopsicológicas;

- Diversidade e respeito;

- Sexualidade e género;

- Reprodução humana e crescimento; contracepção e
planeamento familiar;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas;

- Dimensão ética da sexualidade humana.


3.º ciclo (7.º ao 9.º anos)
- Dimensão ética da sexualidade humana:

- Compreensão da sexualidade como uma das componentes
mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que integre valores (por exemplo: afectos,ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária) e uma dimensão ética;

- Compreensão da fisiologia geral da reprodução humana;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários);

- Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo (incluindo infecção por VIH/vírus da imunodeficiência humana — HPV2/vírus do papiloma humano — e suas consequências) bem como os métodos de prevenção.

- Saber como se protege o seu próprio corpo, prevenindo a violência e o abuso físico e sexual e comportamentos sexuais de risco, dizendo não a pressões emocionais e sexuais;

- Conhecimento das taxas e tendências de maternidade e da paternidade na adolescência e compreensão do respectivo significado;

- Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado;

-Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Ensino secundário
- Compreensão ética da sexualidade humana.

- Sem prejuízo dos conteúdos já enunciados no 3.º ciclo,sempre que se entenda necessário, devem retomar -se temas previamente abordados, pois a experiência demonstra
vantagens de se voltar a abordá -los com alunos que, nesta
fase de estudos, poderão eventualmente já ter iniciado a vida sexual activa. A abordagem deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos
adolescentes na actualidade:

- Compreensão e determinação do ciclo menstrual em geral, com particular atenção à identificação, quando possível, do período ovulatório, em função das características dos ciclos menstruais.

- Informação estatística, por exemplo sobre:
-Idade de início das relações sexuais, em Portugal e na UE;
- Taxas de gravidez e aborto em Portugal;
- Métodos contraceptivos disponíveis e utilizados; segurança
proporcionada por diferentes métodos; motivos que
impedem o uso de métodos adequados;
- Consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade
e da paternidade de gravidez na adolescênciae do aborto;
- Doenças e infecções sexualmente transmissíveis (como
infecção por VIH e HPV) e suas consequências;
- Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

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