quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sida (VIH) – Os Riscos


Como é que se “apanha” Sida?
Na maior parte dos casos, por relações sexuais não protegidas, mas também por partilha de seringas e contactos com sangue infectado.

Por que é que é importante usar preservativo para ter relações sexuais?
Quando és penetrada/o, o pénis do teu parceiro contacta com as células que revestem a tua vagina e/ou o teu recto que conseguem absorver o fluido, permitindo assim que o vírus entre em contacto com a corrente sanguínea. As células que revestem o teu recto são particularmente delicadas, sendo como tal facilmente danificadas. Basta uma pequena abrasão para que se torne ainda mais fácil a passagem do vírus. E o recto é praticamente uma segunda casa para o VIH (Sida), já que apresenta uma elevada concentração dos glóbulos brancos que ele infecta.
Contudo, se usares preservativo, o vírus não conseguirá penetrar no teu corpo. Muito embora o VIH (Sida) seja muito pequeno, ele não consegue passar através do látex.

Posso “apanhar” sida se penetrar o meu companheiro mas não deixar que ele me penetre?
Sim, se não usarem preservativo. Penetrar é menos arriscado do que ser penetrado, mas um risco menor não implica ausência de risco. A penetração só é segura mediante o uso do preservativo.
Se uma pessoa for seropositiva, as células que revestem o seu recto e/ou a sua vagina podem conter vírus; ou o seu recto e/ou a sua vagina pode sangrar como resultado da penetração. Em qualquer dos casos, se penetrares alguém seropositivo sem preservativo corres o risco de absorver o vírus através do teu pénis – quer por pequenas abrasões na pele sensível da glande do pénis, quer através da uretra (o tubo através do qual saem a urina e o sémen). Um preservativo protegerá o teu pénis e a tua saúde.

Posso apanhar sida se não usar preservativo mas usar muito lubrificante?
Sim, muito embora o risco possa ser menor do que se não usares nada. Os lubrificantes, tais como os que podes usar juntamente com os preservativos, diminuem a probabilidade do pénis e das células do recto e/ou da vagina ficarem danificados durante a penetração. Quanto maior for a quantidade de lubrificante, mais suave é a penetração, menor é o risco de estragos. Contudo, mesmo que nem o teu pénis nem as células do recto e/ou da vagina fiquem danificados, o VIH pode ser absorvido para a tua corrente sanguínea se tiveres sexo não protegido com alguém seropositivo.

Preciso de usar preservativo se quer eu, quer o/a meu/minha parceiro/parceira formos seropositivos?
Se abandonares os preservativos, ficas em risco de te infectares com um tipo de VIH ligeiramente diferente daquele que tu tens. Tal como já dissemos, o VIH muta, produzindo novas versões de si próprio. Estas novas versões podem ser resistentes às drogas que estejas eventualmente a tomar. Podem também ser uma carga adicional para o teu sistema imunitário.
Se és seropositivo/a e só tens sexo com seropositivos, tens também de ter em conta que, se não usarem preservativo, ficam em maior risco de contraírem outras infecções transmitidas sexualmente. As pessoas com VIH podem ter maior dificuldade em combater estas infecções. Existem também estudos que comprovam que pessoas seropositivas que contraem outras doenças sexualmente transmissíveis se tornam mais susceptíveis de progredirem para SIDA do que as outras pessoa infectadas com VIH.

É inevitável que apanhe o vírus se tiver uma relação sexual não protegida com alguém seropositivo?
Não. Muito embora o sexo não protegido seja a maneira mais fácil de se contrair VIH, nem toda a relação sexual não protegida com alguém seropositivo passa o vírus. A razão para tal é que existe uma diferença entre ser-se exposto ao vírus e realmente ficar infectado por ele.
Assim, se tiveres sexo não protegido com alguém que seja seropositivo, não assumas imediatamente que ficaste infectado/a. Não se sabe bem por que é que isto sucede – pode ter a ver com a concentração de vírus nos fluidos corporais do/a seropositivo/a.
A quantidade de vírus que cada homem apresenta no seu sémen e no seu sangue varia de tempos a tempos. Actualmente, pode ser medida a concentração do vírus no sangue através de um teste chamado teste de carga viral. Se a tua carga viral for baixa – talvez porque as drogas que tomas estão a fazer efeito, diminuindo a taxa a que o vírus se multiplica – isso significa que tens uma baixa concentração de vírus no teu sangue. Contudo, isto não significa necessariamente que a concentração de vírus no teu sémen seja igualmente baixa. Por outras palavras, uma carga viral baixa não significa que sejas menos infeccioso.
Pelo contrário, se fores seropositivo e apresentares outra infecção transmitida sexualmente, tal como gonorreia ou sífilis, ou se tiveres sido infectado pelo VIH muito recentemente, então podes ser extremamente infeccioso – ou seja, podes apresentar concentrações muito elevadas do vírus quer no sangue, quer no sémen.
Ao mesmo tempo, se não fores seropositivo mas apresentares uma doença sexualmente transmissível que não o VIH, podes ser mais susceptível de ser infectado por ele. Pensa-se que os homens não seropositivos que são parceiros activos sem preservativo apresentam um maior risco de contraírem o VIH de um parceiro seropositivo se estiverem infectados com outras doenças sexualmente transmitidas (DSTs).
A questão aqui é que nenhum de vocês saberá necessariamente se o outro é ou não seropositivo. E mesmo que o saibam, nunca saberão quão infeccioso ele/ela é. E mesmo que assumam que é menos infeccioso/a, isso não significa que não seja infeccioso/a de todo.
Dito tudo isto, se por qualquer razão tiveres relações sexuais não protegidas com alguém que seja seropositivo, então não assumas imediatamente que estás infectado. Não entres em pânico e faz o teste. E continua sempre a usar o preservativo.

Pode-se apanhar sida por fazer sexo oral a alguém?
Sim, mas o sexo oral é menos perigoso do que as relações sexuais (activas ou passivas). O risco torna-se ainda menor se, no caso do teu parceiro ser um homem, ele não ejacular na tua boca. Mesmo que o faça, a saliva contém substâncias que inibem a infecção por VIH. Para além disso, a ejaculação não ficará durante muito tempo na tua boca – vais cuspi-la ou engoli-la, certo? E se a engolires o ácido do teu estômago destruirá o vírus.
Mas se a tua boca estiver danificada de algum modo – se sangrares das gengivas (ou tenhas uma infecção como a gengivite – caso em que devias ir ver o dentista), dores de garganta ou uma úlcera na boca (sinal de que estás com gripe ou perto disso) – então devias evitar fazer sexo oral a alguém. E se acabaste de fazer uma cirurgia oral há pouco tempo – como a remoção de um dente, por exemplo, então nem sequer penses nisso antes de teres recuperado totalmente.
As drogas recreativas também podem causar problemas. Esfregar cocaína nas gengivas, por exemplo, pode danificá-las, tornando-te mais susceptível à infecção. E certas drogas – como o ecstasy – podem fazer com que mordas a parte de dentro da tua boca, o que não é certamente uma boa preparação para se fazer sexo oral a quem quer que seja.
Mesmo que a tua boca esteja em perfeitas condições, não escoves os dentes nem uses o fio dental antes de fazeres sexo oral, uma vez que podes facilmente magoar as gengivas. As lavagens bocais são também desaconselhadas, uma vez que podem remover certas substâncias da tua boca que te podem ajudar a proteger contra o VIH. Se quiseres refrescar o teu hálito antes das intimidades experimenta esfregar pasta de dentes nos dentes e gengivas. Ou come um rebuçado. Alguns homens preferem usar preservativo para o sexo oral. A escolha é tua.

Posso apanhar sida por me fazerem sexo oral?
Na prática não, uma vez que a saliva de uma pessoa infectada apresenta concentrações muito diminutas do vírus. Contudo, se a pessoa que te fizer o sexo oral apresentar lesões na boca ou nas gengivas, existe um risco mais elevado de transmissão da infecção

Pode-se contrair sida através das drogas injectáveis?
Só se partilhares as agulhas, caso em que ficas em riso de te injectares com sangue de outra pessoa. Injectares-te com o sangue de uma pessoa infectada é uma maneira infalível de contraíres VIH. E isto é o que pode acontecer se os utilizadores de drogas injectáveis partilharem agulhas.

Se for infectado/a saberei?
Possivelmente. Quando alguém é infectado pelo VIH tende a apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe – sentem-se febris e com o corpo dorido. Contudo, a menos que saibas que poderás ter sido exposto ao VIH, então não associarás o facto de estares com sintomas de gripe ao de estares infectado/a. Provavelmente pensarás apenas que estás com gripe. A única forma de saberes de certeza se estás ou não infectado é fazendo um teste.


Fonte: Sida (VIH) - Os Riscos | Planeamento Familiar

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Objectivo Mínimos da Ed.Sexual (por Ciclo)

1.º ciclo (1.º ao 4.º anos)

- Noção de corpo;

- O corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural;

- Noção de família;

- Diferenças entre rapazes e raparigas;

- Protecção do corpo e noção dos limites, dizendo não às
aproximações abusivas.


2.º ano
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor deve esclarecer os alunos sobre questões e dúvidas que surjam naturalmente, respondendo de forma simples e clara.


3.º e 4.º anos
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor poderá desenvolver temas que levem os alunos a compreender a necessidade de proteger o próprio corpo, de se defender de eventuais aproximações abusivas, aconselhando que, caso se deparem com dúvidas ou problemas de identidade de género, se sintam no direito de pedir ajuda às pessoas em quem confiam na família ou na escola.


2.º ciclo (5.º e 6.º anos)
- Puberdade — aspectos biológicos e emocionais;

- O corpo em transformação;

- Caracteres sexuais secundários;

- Normalidade, importância e frequência das suas variantes
biopsicológicas;

- Diversidade e respeito;

- Sexualidade e género;

- Reprodução humana e crescimento; contracepção e
planeamento familiar;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas;

- Dimensão ética da sexualidade humana.


3.º ciclo (7.º ao 9.º anos)
- Dimensão ética da sexualidade humana:

- Compreensão da sexualidade como uma das componentes
mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que integre valores (por exemplo: afectos,ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária) e uma dimensão ética;

- Compreensão da fisiologia geral da reprodução humana;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários);

- Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo (incluindo infecção por VIH/vírus da imunodeficiência humana — HPV2/vírus do papiloma humano — e suas consequências) bem como os métodos de prevenção.

- Saber como se protege o seu próprio corpo, prevenindo a violência e o abuso físico e sexual e comportamentos sexuais de risco, dizendo não a pressões emocionais e sexuais;

- Conhecimento das taxas e tendências de maternidade e da paternidade na adolescência e compreensão do respectivo significado;

- Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado;

-Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Ensino secundário
- Compreensão ética da sexualidade humana.

- Sem prejuízo dos conteúdos já enunciados no 3.º ciclo,sempre que se entenda necessário, devem retomar -se temas previamente abordados, pois a experiência demonstra
vantagens de se voltar a abordá -los com alunos que, nesta
fase de estudos, poderão eventualmente já ter iniciado a vida sexual activa. A abordagem deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos
adolescentes na actualidade:

- Compreensão e determinação do ciclo menstrual em geral, com particular atenção à identificação, quando possível, do período ovulatório, em função das características dos ciclos menstruais.

- Informação estatística, por exemplo sobre:
-Idade de início das relações sexuais, em Portugal e na UE;
- Taxas de gravidez e aborto em Portugal;
- Métodos contraceptivos disponíveis e utilizados; segurança
proporcionada por diferentes métodos; motivos que
impedem o uso de métodos adequados;
- Consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade
e da paternidade de gravidez na adolescênciae do aborto;
- Doenças e infecções sexualmente transmissíveis (como
infecção por VIH e HPV) e suas consequências;
- Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

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