quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Orgasmo e a "mística" associada

Mensagem:
Olá pessoal! Tudo bem com vocês?! Bem, eu costumo visitar o vosso site frequentemente, porque como atenta que sou (ou faço por ser!) às actualidades, gosto de me manter informada, não só em termos de exercícios escolares, como também alguns passatempos que vocês propõem...

A área da Educação Sexual seja talvez aquela que mais atenção desperta... Não é que me considere uma ignorante no assunto, mas acho que é sempre bom tentarmos saber se existe algo que nos passa ao lado! E é também esse motivo que me levou a escrever-vos.

Tenho 16 anos e namoro com um rapaz de 17. É a pessoa mais adulta que eu conheço da minha geração e jamais me faria passar por algo que eu não quisesse. Disso estou certa! Tenho uns pais um bocadinho protectores e, até há 13 meses, nunca me tinha esforçado sequer para eles aceitarem alguma relação minha com outra pessoa, talvez porque não era levada muito a sério e também porque não havia força para tal!

Mas desde que conheci o X, tudo isso mudou, ele fez-me ver que se era mesmo isto que queríamos, porque não tentar? E sim, deu-me bastante força para chegarmos ao ponto em que hoje estamos... Os meus pais sabem da nossa relação e aceitam-na, com alguma apreensão é certo, mas não são contra! Também lhes demonstrei que isso não iria interferir no meu rendimento escolar e talvez tenha sido uma ajuda! Bom, agora que sabem um bocadinho da minha história, vou chegar ao centro da questão (Devem pensar: "Até que enfim!" ... Desculpem =/).

Bem, nós damo-nos super bem, tanto a nível emocional como a nível físico. Sempre tivemos uma grande atracção um pelo outro e há cerca de duas semanas iniciámos uma relação mais profunda, se é que me faço entender! A verdade é que já tinhamos tido alguns encontros 'picantes', mas dessa vez perdemos a cabeça... e a virgindade também! Não foi bem perder a cabeça, aliás fizemos tudo com muita cabeça, protegemo-nos e respeitámo-nos mutuamente.

Tentamos mantermo-nos informados acerca de todos os cuidados e riscos que corremos e, acima de tudo, falamos do que 'nos vai na alma'. Se existe algo que nos preocupa ou que não gostamos, dizêmo-lo simplesmente. Tudo com calma, claro! Resumindo, foi uma experiência espectacular e nunca me vou arrepender do que aconteceu entre nós, mesmo que algum dia a nossa relação termine, apesar de sermos muito unidos. Não atingi o climax, é certo...

Das duas vezes que estivemos juntos, sangrei um bocadinho, mais na segunda, para meu espanto! Não temos problema nenhum em falarmos disso, de todo! Nem sequer eu me importo de não atingir o orgasmo pela penetração como ele... Aliás sinto-me realizada quando acontece com ele! É assim muito único, todo o carinho nos preliminares, todo o cuidado em perguntar se estou bem, se não e depois aquela emoção reflectida na cara dele... É gratificante! Como ainda não atingi o meu ponto alto, não sei bem o que perco... Acredito que é melhor quando podemos partilhar os dois do mesmo, mas não sei quando vai acontecer... Talvez porque não sei bem o que esperar... Será normal?

Pelo que li, dizem que é normal as raparigas não atingirem muito prazer nas primeiras vezes, mas, por mais que eu lhe explique que não faz mal, que isso virá com o tempo, ele fica um bocadinho apreensivo... e por vezes eu também! Para dizer a verdade, não tinha muito a necessidade (tinha?) de vir aqui falar com vocês, porque já conversámos sobre isso e só queremos sentir-nos bem um com o outro. Se eu não me importo realmente com o 'problema', ele também pode ficar descansado. Mas faltará muito? Bem, desculpem o 'testamento', mas parece que vocês tomaram o lugar do diário que não tenho :-) A diferença é que vocês podem responder! Já o diário é complicado :-P * Beijinho e obrigada.


Resposta:
Foi muito bom recebermos o teu e-mail.
É sempre saboroso recebermos um texto tão bem escrito e tão cheio de boas experiências - porque a maior parte dos que nos escrevem têm problemas e dúvidas mais ou menos complexos. E vocês ainda por cima amam-se, respeitam-se e protegem-se! Boa!

Quanto à questão que nos colocas, é natural que essas sensações que procuras, o tão famoso orgasmo, demorem a surgir. Tudo depende das pessoas, e não tem a ver com nada estar certo ou errado. Tem a ver com cada um e com o sentir de cada um.

Enquanto nos homens o orgasmo é quase algo automático que acompanha a ejaculação, no caso das mulheres é mais complicado.
Para além disso, vivemos rodeados de orgasmos "longos", "profundos" e "sentidos", acompanhados de gemidos, gritos, urros ou sons afins quando vemos sexo num filme ou na TV, ou ouvimos descrições...
É a imagem (mítica e romanceada) que nos é transmitida e que procuramos imitar e alcançar...

Lamentamos desapontar-te (caso seja o caso), mas o orgasmo é um momento mais para o curto do que para o longo, mais para o raro do que para o comum - mas que as mulheres "querem" que esteja sempre presente no acto sexual (como nos homens).

Felizmente é um desejo legítimo, e atingir esse clímax «aprende-se» com o tempo, a experiência, com o conhecimento que se vai tendo do parceiro e de si - do que dá mais prazer (como, quando, onde...).
Mas lê. (Agora apelamos nós à tua paciência.)

Enquanto os homens têm uma "evolução" no acto sexual mais "explosiva" (lembra-te do objectivo primário do acto sexual), as mulheres, pela mesma razão funcionam de modo diferente.
Numa sociedade que privilegia o acto pelo prazer e não pela procriação, é legítimo que se procure esse prazer para os dois, só que a mulher leva tempo a "aquecer".
E o homem, se a ama e respeita e lhe quer dar prazer, deve tentar ao máximo abrandar o seu ritmo natural para maximizar o prazer dela.

Acredita que, quanto mais vocês se conhecerem ao nível afectivo e quanto mais tu te conheceres a esse nível, mais perto estarás de um dia, quando menos esperares, sentires o que desejas.
Tudo passa pelo carinho, pelos preliminares, pela comunicação do prazer/desprazer e pela entrega - e pela experiência.

E - o mais importante - é não fazeres (fazerem) disso o objectivo da vossa relação sexual.
Não pensem nisso quando estão juntos: é a melhor maneira de nada acontecer.

Tudo de bom.

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Objectivo Mínimos da Ed.Sexual (por Ciclo)

1.º ciclo (1.º ao 4.º anos)

- Noção de corpo;

- O corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural;

- Noção de família;

- Diferenças entre rapazes e raparigas;

- Protecção do corpo e noção dos limites, dizendo não às
aproximações abusivas.


2.º ano
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor deve esclarecer os alunos sobre questões e dúvidas que surjam naturalmente, respondendo de forma simples e clara.


3.º e 4.º anos
- Para além das rubricas incluídas nos programas de meio físico, o professor poderá desenvolver temas que levem os alunos a compreender a necessidade de proteger o próprio corpo, de se defender de eventuais aproximações abusivas, aconselhando que, caso se deparem com dúvidas ou problemas de identidade de género, se sintam no direito de pedir ajuda às pessoas em quem confiam na família ou na escola.


2.º ciclo (5.º e 6.º anos)
- Puberdade — aspectos biológicos e emocionais;

- O corpo em transformação;

- Caracteres sexuais secundários;

- Normalidade, importância e frequência das suas variantes
biopsicológicas;

- Diversidade e respeito;

- Sexualidade e género;

- Reprodução humana e crescimento; contracepção e
planeamento familiar;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas;

- Dimensão ética da sexualidade humana.


3.º ciclo (7.º ao 9.º anos)
- Dimensão ética da sexualidade humana:

- Compreensão da sexualidade como uma das componentes
mais sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que integre valores (por exemplo: afectos,ternura, crescimento e maturidade emocional, capacidade de lidar com frustrações, compromissos, abstinência voluntária) e uma dimensão ética;

- Compreensão da fisiologia geral da reprodução humana;

- Compreensão do ciclo menstrual e ovulatório;

- Compreensão do uso e acessibilidade dos métodos contraceptivos e, sumariamente, dos seus mecanismos de acção e tolerância (efeitos secundários);

- Compreensão da epidemiologia das principais IST em Portugal e no mundo (incluindo infecção por VIH/vírus da imunodeficiência humana — HPV2/vírus do papiloma humano — e suas consequências) bem como os métodos de prevenção.

- Saber como se protege o seu próprio corpo, prevenindo a violência e o abuso físico e sexual e comportamentos sexuais de risco, dizendo não a pressões emocionais e sexuais;

- Conhecimento das taxas e tendências de maternidade e da paternidade na adolescência e compreensão do respectivo significado;

- Conhecimento das taxas e tendências das interrupções voluntárias de gravidez, suas sequelas e respectivo significado;

-Compreensão da noção de parentalidade no quadro de uma saúde sexual e reprodutiva saudável e responsável;

- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

Ensino secundário
- Compreensão ética da sexualidade humana.

- Sem prejuízo dos conteúdos já enunciados no 3.º ciclo,sempre que se entenda necessário, devem retomar -se temas previamente abordados, pois a experiência demonstra
vantagens de se voltar a abordá -los com alunos que, nesta
fase de estudos, poderão eventualmente já ter iniciado a vida sexual activa. A abordagem deve ser acompanhada por uma reflexão sobre atitudes e comportamentos dos
adolescentes na actualidade:

- Compreensão e determinação do ciclo menstrual em geral, com particular atenção à identificação, quando possível, do período ovulatório, em função das características dos ciclos menstruais.

- Informação estatística, por exemplo sobre:
-Idade de início das relações sexuais, em Portugal e na UE;
- Taxas de gravidez e aborto em Portugal;
- Métodos contraceptivos disponíveis e utilizados; segurança
proporcionada por diferentes métodos; motivos que
impedem o uso de métodos adequados;
- Consequências físicas, psicológicas e sociais da maternidade
e da paternidade de gravidez na adolescênciae do aborto;
- Doenças e infecções sexualmente transmissíveis (como
infecção por VIH e HPV) e suas consequências;
- Prevenção de doenças sexualmente transmissíveis;
- Prevenção dos maus tratos e das aproximações abusivas.

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